quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dinâmica 5 – “Globalização do Mal” - Os Pilares do Nazismo

Dinâmica 5 – “Globalização do Mal” - Os Pilares do Nazismo

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Dinâmica 6 – Empreendedorismo - Atividade empresarial e conhecimento

Aos meus alunos de administração, contabilidade e economia.



Nome:______________________________________________________ nº:_____ Turma: ____
Unidade de Estudo: _________________________________________________Junho/2014 d.C.
Professor: LUIS CAVALCANTE, Econ. – http://professor-luiscavalcante.blogspot.com  

Dinâmica 6 – Empreendedorismo

Atividade empresarial e conhecimento[1]

Parece ser necessário tecer alguns comentários a fim de esclarecer a relação entre a noção de estado de alerta empresarial, desenvolvida neste capítulo, e a ideia alternativa de que a atividade empresarial pura representa um melhor domínio sobre a informação. Há uma certa tentação de conceber o empresário como alguém que simplesmente sabe, com mais exatidão que outros, onde se podem comprar recursos mais baratos, onde se podem vender produtos por preços mais altos, que inovações, tecnológicas ou outras, darão provas de serem mais férteis, que ativos se pode esperar que cresçam mais em valor, e as sim por diante. Ao explorar esse melhor conhecimento, o empresário capta lucros para si mesmos. Nessa interpretação, o lucro empresarial (e o campo de ação tomada de decisões empresariais, em geral) desaparece, no mercado em equilíbrio geral, porque a pressuposição de conhecimento perfeito associada com o estado de equilíbrio geral remove quaisquer possibilidades para um melhor conhecimento.

A dificuldade em conceber a atividade empresarial em termos de conhecimento superior deriva da necessidade de distinguir claramente atividade empresarial e meios de produção. A busca da evasiva categoria analítica de atividade empresarial origina-se do insight de que uma explicação do fenômeno de mercado de lucros puros implica um papel no mercado que não pode ser reduzido a apenas um tipo especial de meio de produção. O conhecimento, ou pelo menos os serviços de homens que possuam conhecimento, pode, afinal de contas, ser contratado no mercado de meios de produção. O trabalhador mais altamente qualificado tende a fazer jus a salários mais altos no mercado de trabalho, e o indivíduo mais bem informado tende a fazer jus a salários mais altos no mercado de serviços de tomadores de decisões de negócios. Se é para manter a posição de que a atividade empresarial representa algo que não deve ser tratado como um meio de produção, não dará certo defini-la simplesmente em termos de conhecimento[2].

No entanto, dificilmente podemos negar que o que gera oportunidades para lucro empresarial puro é a imperfeição do conhecimento por parte de participantes do mercado; que essas oportunidades podem ser empregadas por quem quer que descubra sua existência antes que outros o façam; e que o processo de ganhar esses lucros é ao mesmo tempo um processo de correção da ignorância do mercado. Se todos os participantes do mercado fossem oniscientes, os preços dos produtos e os preços dos fatores deveriam, a qualquer momento, estar em completo ajustamento, sem deixar nenhum diferencial de lucro; não se pode imaginar que nenhuma oportunidade para a aplicação interessante de recursos, através de qualquer tecnologia cognoscível, ou para a satisfação de qualquer desejo dos consumidores que se possa conceber,

tenha sido deixada inexplorada. Somente a introdução da ignorância abre a possibilidade de tais oportunidades inexploradas (e as oportunidades para lucros puros a elas associadas), e a possibilidade de que o primeiro a descobrir o verdadeiro estado de coisas possa captar os lucros a ele associados por meio da invocação, da criatividade e da mudança.

Mas, por mais estreita que seja a ligação entre o elemento de conhecimento e a possibilidade de ganhar lucros puros, a noção, difícil de captar, de atividade empresarial não está, como vimos, totalmente contida na mera posse de um melhor conhecimento das oportunidades do mercado. O aspecto de conhecimento que é crucialmente pertinente para a atividade empresarial não é tanto o conhecimento substantivo de dados de mercado, como o estado de alerta, o “conhecimento” de onde encontrar dados de mercado. Uma vez que se imagina que o conhecimento dos dados do mercado já é possuído com absoluta certeza, afastou-se da imaginação, como notamos anteriormente[3], a oportunidade para novas tomadas de decisões empresariais (e não “robbinsianas”). Inversamente, também já vimos que o conhecimento de oportunidades que é possuído sem a certeza exigida para captá-las exige um nível separado e adicional de atividade empresarial capaz de explorar esse conhecimento possuído — tal conhecimento incerto sendo então um fator de produção contratado, com o papel empresarial desempenhado por alguém que confia que esse conhecimento contratado é capaz de assegurar lucros[4].

É por isso que, nesse livro, falo do elemento essencialmente empresarial na ação humana em termos de espírito alerta para a informação, e não em termos de possuir a informação. O empresário é a pessoa que contrata os serviços de meios de produção. Entre esses meios, podem estar pessoas com melhor conhecimento de informações de mercado, mas o próprio fato de que esse detentores de informação contratados não a exploraram eles mesmos mostra que, talvez no seu sentido mais verdadeiro, esse conhecimento é possuído, não por eles, mas por aquele que os está contratando. É este que “sabe” quem contratar, que “sabe” onde encontrar os que dispõem das informações de mercado necessárias para localizar oportunidades de lucro. Sem que ele próprio possua os dados que são conhecidos daqueles que ele contrata, o empresário contratante, não obstante, “conhece” esses dados no sentido de que o seu espírito alerta — sua propensão para saber onde buscar informações — domina o curso dos acontecimentos.

No fim das contas, o tipo “conhecimento” exigido para a atividade empresarial é mais o “saber onde procurar conhecimento”, que o próprio conhecimento de informações concretas de mercado. A expressão que capta melhor esse tipo de “conhecimento” parece ser estado de alerta. É verdade que também o “estado de alerta” pode ser contratado; mas quem contrata um empregado alerta, atento às possibilidades de descobrir conhecimento, dá, ele próprio, mostras de um espírito alerta em grau ainda mais elevado. O conhecimento empresarial pode ser descrito como a “ordem mais elevada de conhecimento”, o conhecimento último necessário para utilizar informações disponíveis já possuídas (ou que podem ser descobertas). Uma relação comparável pode ser notada com relação à própria operação de contratar. Uma decisão de contratar um meio de produção não é necessariamente uma decisão empresarial; afinal de contas, um gerente de pessoal pode ser contratado especificamente devido ao seu talento em tomar decisões sábias em termos de contratação. Mas se um meio de produção está tomando as decisões de contratação, está implícito que esse meio de produção foi, ele próprio, contratado por alguém que tomou uma decisão de contratar, e assim por diante. A decisão empresarial de contratar é assim a decisão última de contratar, responsável em última instância por todos os fatores que são direta ou indiretamente

contratados para o seu projeto[5]. Exatamente da mesma forma, a atitude alerta do empresário é o tipo de conhecimento abstrato, muito geral e rarefeito ao qual devemos, em última análise, creditar a descoberta e exploração de oportunidades especificamente desencavadas por aqueles que ele teve a sabedoria de contratar, direta ou indiretamente.

Fonte via: Economia Reformacional – http://economistareformacional.blogspot.com
Sugestões de Leituras:


BLOOM, Allan. The closing on the american mind. New York, EUA: Touchstone, 1987.

CARVALHO, Olavo de. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Organização Felipe Moura Brasil. 6ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2013.

CONSTANTINO, Rodrigo. Esquerda caviar: a hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Record, 2013.

CONSTANTINO, Rodrigo. Privatize Já: Pare de acreditar em intrigas eleitorais e entenda como a privatização fará o Brasil um país melhor. (A privataria petista - As estatais a serviço de um partido). São Paulo: Leya, 2012.

CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do indivíduo: O legado da Escola Austríaca. Rio de Janeiro, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009.

COURTOIS, Stéphave. [et ai.]; com a colaboração de Remi Kauffér... [et ai.]. O livro negro do comunismo: Crimes, terror e repressão. Tradução Caio Meira. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

COUTINHO, João Pereira. As ideias Conservadoras. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

CARSON, D.A. A intolerância da tolerância: A crise da tolerância que, redefinida, se tornou repressiva, perigosa e intelectualmente debilitante. São Paulo: Shedd Publicações, 2013.

CARVALHO, Olavo de. O jardim das aflições: de Epicuro à ressurreição de César – Ensaio sobre o materialismo e a religião civil. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.

CLOUSER, Roy. The myth of religious neutrality. Notre Dame: University of Notre Dame, 1991.

DE PAOLA, Heitor. O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. São Paulo: É Realizações, 2008.

DAWSON, Christopher. Dinâmicas da História do Mundo. São Paulo: É realizações, 2012.

DAWSON, Christopher. Progresso e Religião: Uma investigação histórica. São Paulo: É realizações, 2010.

DEMBSKI, William A.; WITT, Jonathan. Design inteligente sem censura: Um guia claro e prático para o debate. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

DOOYEWEERD, Herman. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico. São Paulo: Hagnos, 2010.

EASTERLY, William. O espetáculo do crescimento. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

ESCANDE, Reanud (Org.). O Livro Negro da Revolução Francesa. Lisboa: Aletheia Editores, 2010.

GRECO, John; SOSA, Ernet (Org.). Compêndio de epistemologia. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

HANSON, Victor Davis. Por que o ocidente venceu: Massacre e cultura - da Grécia Antiga ao Vietnã. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

HOCHSCHILD, Adam. Enterrem as correntes. Rio de Janeiro: Record, 2007.

JOHNS, Phillip E. Ciência, intolerância e fé: A cunha da verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo. Viçosa, MG: Ultimato, 2007.

KIRK, Russel. A política da prudência. São Paulo: É Realizações, 2013.

KIRZNER, Israel M. Competição e atividade empresarial. 2ª. ed. Tradução de Ana Maria Sarda. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2012.

LENNOX, John C. Por que a ciência não consegue enterrar Deus. São Paulo: Editora Mundo Cristão & Editora Mackenzie, 2011.

McGRATH, Alister; McGRATH, Joanna. O delírio de Dawkins: Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

MENDOZA, Plínio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

MENDOZA, Plínio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. A Volta do Idiota. São Paulo: Odisséia Editorial, 2007.

NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo. São Paulo: Leya, 2013.

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. São Paulo: Leya, 2011.

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da História do Brasil. São Paulo: Leya, 2009.

PALMER, Tom G. (Org.). A moralidade do capitalismo: os que os professores não contam. São Paulo: Peixoto Neto, 2012.

POLANYI, Michael. A Lógica da liberdade: reflexões e réplicas. Rio de Janeiro: Liberty Fund, Topbooks, 2003.

PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da Filosofia: Ensaio de Ironia. São Paulo: Leya, 2012.

PORTELA, Solano. O que estão ensinando aos nossos filhos? Uma avaliação crítica da pedagogia contemporânea. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012.

ROSENFIELD, Denis; COUTINHO, João Pereira; PONDÉ, Luiz Felipe. Por Que Virei à Direita: Três intelectuais explicam sua opção pelo conservadorismo. São Paulo: Três Estrelas, 2012.

SCALA, Jorge. Ideologia de Gênero: O neototalitarismo e a morte da família. São Paulo: Katechesis, 2011.

SIRE, James W. O universo ao lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão. 4ª. ed. São Paulo: Hagnos, 2009.

SOUZA FILHO, Luis Cavalcante de.  Gênero e Diversidade na Escola: A manifestação da esquerda satã, ética fascista, espiritualidade pagã e pedagogia idiotizante por intermédio da ideologia de gênero no ensino escolar. Osasco, SP: Editora Cultura Calvinista, 2014. (título provisório - apostila).

SOWELL, Thomas. Conflito de visões: Origens ideológicas das lutas políticas. São Paulo: É Realizações, 2011.

THOMAS, J. D. Razão, ciência e fé: compreendendo a relação entre fatos da ciência e os argumentos da fé. São Paulo: Editora Vida Cristã, 1999.

VAN TIL, Henry R. O conceito calvinista de cultura: a única teologia da cultura que é, de fato, relevante para o mundo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

VEITH JR., Gene Edward. O fascismo moderno: a cosmovisão judeu-cristã ameaçada. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

WILLIAMSON, Kevin. O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo - Você sabia que... A esquerda é ultranacionalista e militarista? O socialismo degrada o meio  ambiente? O socialismo está infiltrado em economias ocidentais como os EUA? São Paulo: Agir, 2013.

WIKER, Benjamin; WITT, Jonathan. Um mundo com significado: Como as artes e as ciências revelam o gênio da natureza. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.


Sugestões de filmes:

O filme[6]: Deus da carnificina, de Roman Polanski, é uma sátira à hipocrisia do politicamente correto, com Judie Foster fazendo o papel de uma típica representante da esquerda caviar, que se coloca sempre acima dos outros no campo moral. / Ela é capaz de tudo perdoar em nome da "civilização". É tão descolada que até passou sua lua de mel na Índia! Mas, em certo momento, desabafa: "Por que tudo tem que ser sempre tão exaustivo?" Usar sempre aquela máscara cansa. / A personagem abraça as causas das pobres crianças africanas, mas, no fundo, esconde seu ódio a tudo aquilo em volta, seu recalque à sua vida medíocre com seu marido acomodado, um simples vendedor de latrinas sem ambição. (...)

Sugestões de Vídeos:

O Verdadeiro Conservador  - Michael Oakeshott – pelo intelectual conservador João Pereira Coutinho https://www.youtube.com/watch?v=_vbfxVHtblI


Espírito Conservador - João Pereira Coutinho - https://www.youtube.com/watch?v=igmO5cdzhks


Por que contra um mundo melhor? Luiz Felipe Pondé - https://www.youtube.com/watch?v=PqoVJS7nq4w

Sugestões de Ebooks:

OAKESHOTT, Michael. Ser Conservador. (...)

CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do indivíduo: O legado da Escola Austríaca. Rio de Janeiro, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009.









Soli Deo Gloria, Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus




[1] KIRZNER, Israel M. Competição e atividade empresarial. 2ª. ed. Tradução de Ana Maria Sarda. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012. p. 65-67.
[2] Cf. F. Machlup, The Economics of Seller’ Competition (Baltimore, Md.: Johns Hopkins University Press, 1952), pp. 225-31, para uma discussão da distinção entre atividade empresarial e o exercício da responsabilidade gerencial. Ver também G. J. Stigler, “The Economics of Information”, Journal of Polítical Economy 69 (junho de 1961): 213-25, para um tratamento dos aspectos não empresariais do conhecimento no mercado.
[3] Ver cap. 2, n. 4.
[4] Ver acima, p. 44.
[5] Cf. as declarações seguintes de F.H. Knight em Risk, Uncertainty and Profit (Boston: Houghton and Mifflin, 1921): “O que chamamos de ‘controle” consiste sobretudo em selecionar alguma outra pessoa para fazer o ‘controle”’ (p. 291); “A decisão responsável não é ordenar concretamente uma política, mas ordenar um ordenador como ‘trabalhador’ para ordená-la” (p. 297). Cf. também Triffin, Monopolistic Competition, p. 184 e n. 39.
[6] CONSTANTINO, Rodrigo. Esquerda caviar: A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Record, 2013. p. 197.

Dinâmica 4 sobre EMPREENDEDORISMO

Aos meus alunos de administração, contabilidade e economia

Dinâmica sobre EMPREENDEDORISMO

Capítulo VII - Israel Kirzner

1. O Empreendedor Alerta[1]
“A economia de mercado tem sido denominada democracia dos consumidores, por determinar através de uma votação diária quais são suas preferências.” – Ludwig von Mises

A teoria ortodoxa de mercado e do sistema de preços costuma enfatizar a análise de equilíbrio, assumindo as curvas de oferta e demanda como dadas. Insatisfeito com esta postura e suas graves deficiências, o professor de economia da New York University, Israel M. Kirzner, escreveu um excelente livro em defesa da substituição da visão de equilíbrio por uma que encara o mercado como um processo, seguindo a perspectiva austríaca. Em Competition & Entrepreneurship, Kirzner apresenta uma teoria de preços que facilita a compreensão de como as decisões individuais ocorrem e mudam automaticamente para alterar as demais decisões no mercado. A eficiência dessa teoria não depende de uma alocação “ótima” dos recursos em equilíbrio, mas sim do sucesso das forças de mercado para gerar correções espontâneas nos padrões de alocação durante as fases de desequilíbrio. Entender o processo do mercado exige uma noção de competição inseparável daquela exercida pelo empreendedor.

A ignorância acerca das decisões que os outros estão para tomar costuma levar à escolha de planos inadequados por parte dos tomadores de decisões. No processo de mercado desencadeado após suas escolhas, novas informações são adquiridas sobre os planos dos outros agentes, o que gera uma revisão nas decisões antes tomadas. As decisões feitas em um período de tempo geram alterações sistemáticas nas decisões correspondentes para o período seguinte. Essas séries de mudanças interligadas às decisões constituem o processo do mercado, que é inerentemente competitivo. Em cada momento, há a descoberta de novas informações antes não disponíveis, gerando novas oportunidades. No esforço de ficarem à frente dos competidores, os participantes são forçados a buscar uma interação cada vez mais hábil dentro de seus limites. A confiança na habilidade do mercado em aprender com a experiência e gerar um fluxo contínuo de informação que permite o processo de aperfeiçoamento depende diretamente da presença do empreendedor.

Segundo Kirzner, a função do empreendedor será justamente aproveitar as oportunidades criadas pela ignorância existente no processo do mercado. Se houvesse onisciência, não haveria necessidade de empreendedores. Será a figura do empreendedor que perceberá as oportunidades existentes de lucro. Este empreendedor não precisa ser um proprietário dos recursos para produção. Ele simplesmente saberá onde comprar os recursos por um preço que será vantajoso produzir e vender um determinado produto. Seu

valor vem da descoberta dessa oportunidade existente e ainda não explorada. Em uma situação de equilíbrio de mercado, não há espaço para a atividade empreendedora neste sentido porque não há ignorância ou falta de coordenação entre os agentes. É a ineficiência existente na realidade que permite uma realocação dos recursos por parte desses empreendedores e torna o resultado mais eficiente. O empreendedor fica alerta para a possibilidade de usos mais eficientes dos recursos não apenas para as demandas e ofertas existentes, como também para mudanças nelas. Ele deve saber onde as oportunidades inexploradas estão. Na busca pelo lucro, a ação empreendedora irá reduzir a discrepância entre os preços pagos pelos agentes do mercado. Sua função é similar a de um arbitrador. O empreendedor é aquele alerta às informações que o mercado gera continuamente, fazendo ajustes que resultam da ignorância existente no mercado.

O livre mercado é uma condição sine qua non para a existência do empreendedor. De forma objetiva, Ubiratran Iorio resume o argumento de Kirzner em Economia e Liberdade. “Um dos aspectos mais importantes do conceito de atividade empresarial de Kirzner é que o empresário é visto não apenas como a mola propulsora de uma economia de mercado, mas principalmente como um produto exclusivo da economia de mercado. Em outras palavras, só podem existir empresários, no conceito utilizado pela Escola Austríaca, onde houver economia de mercado, uma vez que o processo de descoberta que caracteriza os mercados livres, em que os empresários são obrigados a manter-se em permanente estado de alerta para que possam saber que necessidades específicas os consumidores desejam ver atendidas, não pode ser substituído pelo planejamento, por computadores, por ‘câmaras setoriais’ ou por ‘soluções’ políticas.”

A competição está presente sempre que não há impedimento arbitrário para novos entrantes. Enquanto os outros forem livres para oferecer oportunidades mais atrativas aos consumidores, ninguém está isento da necessidade de competir. Portanto, toda barreira arbitrária à entrada de novos participantes é uma restrição na competitividade do processo de mercado. Um monopólio, nesse sentido, não ocorre necessariamente quando existe somente um único produtor de determinado produto, e sim quando o acesso aos recursos desse mercado é prejudicado por algum controle arbitrário. É totalmente factível que apenas uma empresa ofereça certo produto sem que esteja desfrutando de uma posição monopolista pela definição ortodoxa, já que sofre igualmente as pressões competitivas através da livre possibilidade de novos entrantes.

No processo competitivo do mercado, os empreendedores tomam decisões tanto sobre o preço como sobre a qualidade dos produtos. Para Kirzner, portanto, não há distinção entre os custos de produção e venda de um produto. O empreendedor decide sobre tais variáveis buscando antecipar aquilo que o consumidor irá demandar. Neste processo, faz parte da função do empreendedor fazer com que o consumidor tome conhecimento da existência do produto. O esforço de venda é a tentativa do empreendedor de alertar os consumidores quanto às oportunidades de compra. Sua tarefa não está completa ao levar a informação sobre o produto para os potenciais consumidores; ele deve também se certificar de que os consumidores notaram e absorveram a informação.

Eis a relevância da propaganda, que é parte do mesmo esforço empreendedor. Os críticos da propaganda a veem como desperdício de recursos pago pelos consumidores, mas ignoram que ela é parte fundamental do processo competitivo que torna o mercado mais eficiente. Os valores são subjetivos, e o conhecimento, imperfeito, o que torna a propaganda do produto parte crucial do papel do empreendedor. Somente assim a soberania do consumidor é mantida, já que ele pode decidir sobre suas compras depois que os produtores colocaram as oportunidades diante dele. Afinal, o processo competitivo consiste numa seleção,

por tentativa e erro, das oportunidades apresentadas aos consumidores. Sem a propaganda, os empreendedores ficariam impedidos de oferecer uma vasta gama de opções pelas quais eles podem descobrir o padrão da demanda dos consumidores. Quem condena a propaganda está, então, adotando uma postura arrogante de onisciência, como se pudesse conhecer a priori a demanda dos consumidores. Aqueles que se fixam ao potencial de manipulação da propaganda ignoram que o risco é ainda maior na via política. Como Alain Peyrefitte apontou, “alguém dirá que a publicidade manipula os clientes, incapazes de resistir a suas miragens? Mas por que se lhes reconheceria a capacidade de resistir às miragens da demagogia?”.

Mises vai além. “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias.” No livre mercado, os consumidores são os verdadeiros patrões. São eles que decidem o que será produzido. Peyrefitte explicou que “o consumidor exerce poder soberano sobre a orientação econômica: a maneira como emprega seus rendimentos constitui exercício muito mais constante do direito de voto do que o que as urnas oferecem”. Mas para que o funcionamento desse processo contínuo seja eficiente, é necessário contar com a presença dos empreendedores. São eles que, alertas a todas as oportunidades que a ignorância dos agentes e a assimetria de informação criam, fazem com que as preferências dos consumidores sejam realmente atendidas. O maior aliado dos consumidores é o empreendedor, alerta a todas as oportunidades de lucro no mercado competitivo.
                
Fonte via: Economia Reformacional – http://economistareformacional.blogspot.com

Sugestões de Leituras:


BLOOM, Allan. The closing on the american mind. New York, EUA: Touchstone, 1987.

CARVALHO, Olavo de. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Organização Felipe Moura Brasil. 6ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2013.

CONSTANTINO, Rodrigo. Esquerda caviar: a hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Record, 2013.

CONSTANTINO, Rodrigo. Privatize Já: Pare de acreditar em intrigas eleitorais e entenda como a privatização fará o Brasil um país melhor. (A privataria petista - As estatais a serviço de um partido). São Paulo: Leya, 2012.

CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do indivíduo: O legado da Escola Austríaca. Rio de Janeiro, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009.

COURTOIS, Stéphave. [et ai.]; com a colaboração de Remi Kauffér... [et ai.]. O livro negro do comunismo: Crimes, terror e repressão. Tradução Caio Meira. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

COUTINHO, João Pereira. As ideias Conservadoras. São Paulo: Três Estrelas, 2014.

CARSON, D.A. A intolerância da tolerância: A crise da tolerância que, redefinida, se tornou repressiva, perigosa e intelectualmente debilitante. São Paulo: Shedd Publicações, 2013.

CARVALHO, Olavo de. O jardim das aflições: de Epicuro à ressurreição de César – Ensaio sobre o materialismo e a religião civil. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.

CLOUSER, Roy. The myth of religious neutrality. Notre Dame: University of Notre Dame, 1991.

DE PAOLA, Heitor. O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. São Paulo: É Realizações, 2008.

DAWSON, Christopher. Dinâmicas da História do Mundo. São Paulo: É realizações, 2012.

DAWSON, Christopher. Progresso e Religião: Uma investigação histórica. São Paulo: É realizações, 2010.

DEMBSKI, William A.; WITT, Jonathan. Design inteligente sem censura: Um guia claro e prático para o debate. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

DOOYEWEERD, Herman. No crepúsculo do pensamento ocidental: estudos sobre a pretensa autonomia do pensamento filosófico. São Paulo: Hagnos, 2010.

EASTERLY, William. O espetáculo do crescimento. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

ESCANDE, Reanud (Org.). O Livro Negro da Revolução Francesa. Lisboa: Aletheia Editores, 2010.

GRECO, John; SOSA, Ernet (Org.). Compêndio de epistemologia. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

HANSON, Victor Davis. Por que o ocidente venceu: Massacre e cultura - da Grécia Antiga ao Vietnã. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

HOCHSCHILD, Adam. Enterrem as correntes. Rio de Janeiro: Record, 2007.

JOHNS, Phillip E. Ciência, intolerância e fé: A cunha da verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo. Viçosa, MG: Ultimato, 2007.

KIRK, Russel. A política da prudência. São Paulo: É Realizações, 2013.

KIRZNER, Israel M. Competição e atividade empresarial. 2ª. ed. Tradução de Ana Maria Sarda. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2012.


LENNOX, John C. Por que a ciência não consegue enterrar Deus. São Paulo: Editora Mundo Cristão & Editora Mackenzie, 2011.

McGRATH, Alister; McGRATH, Joanna. O delírio de Dawkins: Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

MENDOZA, Plínio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

MENDOZA, Plínio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. A Volta do Idiota. São Paulo: Odisséia Editorial, 2007.

NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo. São Paulo: Leya, 2013.

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da América Latina. São Paulo: Leya, 2011.

NARLOCH, Leandro; TEIXEIRA, Duda. Guia politicamente incorreto da História do Brasil. São Paulo: Leya, 2009.

PALMER, Tom G. (Org.). A moralidade do capitalismo: os que os professores não contam. São Paulo: Peixoto Neto, 2012.

POLANYI, Michael. A Lógica da liberdade: reflexões e réplicas. Rio de Janeiro: Liberty Fund, Topbooks, 2003.

PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da Filosofia: Ensaio de Ironia. São Paulo: Leya, 2012.

PORTELA, Solano. O que estão ensinando aos nossos filhos? Uma avaliação crítica da pedagogia contemporânea. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012.

ROSENFIELD, Denis; COUTINHO, João Pereira; PONDÉ, Luiz Felipe. Por Que Virei à Direita: Três intelectuais explicam sua opção pelo conservadorismo. São Paulo: Três Estrelas, 2012.

SCALA, Jorge. Ideologia de Gênero: O neototalitarismo e a morte da família. São Paulo: Katechesis, 2011.

SIRE, James W. O universo ao lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão. 4ª. ed. São Paulo: Hagnos, 2009.

SOUZA FILHO, Luis Cavalcante de.  Gênero e Diversidade na Escola: A manifestação da esquerda satã, ética fascista, espiritualidade pagã e pedagogia idiotizante por intermédio da ideologia de gênero no ensino escolar. Osasco, SP: Editora Cultura Calvinista, 2014. (título provisório - apostila).

SOWELL, Thomas. Conflito de visões: Origens ideológicas das lutas políticas. São Paulo: É Realizações, 2011.

THOMAS, J. D. Razão, ciência e fé: compreendendo a relação entre fatos da ciência e os argumentos da fé. São Paulo: Editora Vida Cristã, 1999.

VAN TIL, Henry R. O conceito calvinista de cultura: a única teologia da cultura que é, de fato, relevante para o mundo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

VEITH JR., Gene Edward. O fascismo moderno: a cosmovisão judeu-cristã ameaçada. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

WILLIAMSON, Kevin. O Livro Politicamente Incorreto da Esquerda e do Socialismo - Você sabia que... A esquerda é ultranacionalista e militarista? O socialismo degrada o meio ambiente? O socialismo está infiltrado em economias ocidentais como os EUA? São Paulo: Agir, 2013.

WIKER, Benjamin; WITT, Jonathan. Um mundo com significado: Como as artes e as ciências revelam o gênio da natureza. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.


Sugestões de filmes:

O filme[2]: Deus da carnificina, de Roman Polanski, é uma sátira à hipocrisia do politicamente correto, com Judie Foster fazendo o papel de uma típica representante da esquerda caviar, que se coloca sempre acima dos outros no campo moral. / Ela é capaz de tudo perdoar em nome da "civilização". É tão descolada que até passou sua lua de mel na Índia! Mas, em certo momento, desabafa: "Por que tudo tem que ser sempre tão exaustivo?" Usar sempre aquela máscara cansa. / A personagem abraça as causas das pobres crianças africanas, mas, no fundo, esconde seu ódio a tudo aquilo em volta, seu recalque à sua vida medíocre com seu marido acomodado, um simples vendedor de latrinas sem ambição. (...)

Sugestões de Vídeos:

O Verdadeiro Conservador  - Michael Oakeshott – pelo intelectual conservador João Pereira Coutinho https://www.youtube.com/watch?v=_vbfxVHtblI


Espírito Conservador - João Pereira Coutinho - https://www.youtube.com/watch?v=igmO5cdzhks


Por que contra um mundo melhor? Luiz Felipe Pondé - https://www.youtube.com/watch?v=PqoVJS7nq4w

Sugestões de Ebooks:

OAKESHOTT, Michael. Ser Conservador. (...)

CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do indivíduo: O legado da Escola Austríaca. Rio de Janeiro, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009.


Soli Deo Gloria, Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus



[1] CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do Indivíduo: o legado da Escola Austríaca. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009. p. 135-138.
[2] CONSTANTINO, Rodrigo. Esquerda caviar: A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Record, 2013. p. 197.