quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dinâmica 4 sobre EMPREENDEDORISMO

Aos meus alunos de administração, contabilidade e economia

Dinâmica sobre EMPREENDEDORISMO

Capítulo VII - Israel Kirzner

1. O Empreendedor Alerta[1]
“A economia de mercado tem sido denominada democracia dos consumidores, por determinar através de uma votação diária quais são suas preferências.” – Ludwig von Mises

A teoria ortodoxa de mercado e do sistema de preços costuma enfatizar a análise de equilíbrio, assumindo as curvas de oferta e demanda como dadas. Insatisfeito com esta postura e suas graves deficiências, o professor de economia da New York University, Israel M. Kirzner, escreveu um excelente livro em defesa da substituição da visão de equilíbrio por uma que encara o mercado como um processo, seguindo a perspectiva austríaca. Em Competition & Entrepreneurship, Kirzner apresenta uma teoria de preços que facilita a compreensão de como as decisões individuais ocorrem e mudam automaticamente para alterar as demais decisões no mercado. A eficiência dessa teoria não depende de uma alocação “ótima” dos recursos em equilíbrio, mas sim do sucesso das forças de mercado para gerar correções espontâneas nos padrões de alocação durante as fases de desequilíbrio. Entender o processo do mercado exige uma noção de competição inseparável daquela exercida pelo empreendedor.

A ignorância acerca das decisões que os outros estão para tomar costuma levar à escolha de planos inadequados por parte dos tomadores de decisões. No processo de mercado desencadeado após suas escolhas, novas informações são adquiridas sobre os planos dos outros agentes, o que gera uma revisão nas decisões antes tomadas. As decisões feitas em um período de tempo geram alterações sistemáticas nas decisões correspondentes para o período seguinte. Essas séries de mudanças interligadas às decisões constituem o processo do mercado, que é inerentemente competitivo. Em cada momento, há a descoberta de novas informações antes não disponíveis, gerando novas oportunidades. No esforço de ficarem à frente dos competidores, os participantes são forçados a buscar uma interação cada vez mais hábil dentro de seus limites. A confiança na habilidade do mercado em aprender com a experiência e gerar um fluxo contínuo de informação que permite o processo de aperfeiçoamento depende diretamente da presença do empreendedor.

Segundo Kirzner, a função do empreendedor será justamente aproveitar as oportunidades criadas pela ignorância existente no processo do mercado. Se houvesse onisciência, não haveria necessidade de empreendedores. Será a figura do empreendedor que perceberá as oportunidades existentes de lucro. Este empreendedor não precisa ser um proprietário dos recursos para produção. Ele simplesmente saberá onde comprar os recursos por um preço que será vantajoso produzir e vender um determinado produto. Seu

valor vem da descoberta dessa oportunidade existente e ainda não explorada. Em uma situação de equilíbrio de mercado, não há espaço para a atividade empreendedora neste sentido porque não há ignorância ou falta de coordenação entre os agentes. É a ineficiência existente na realidade que permite uma realocação dos recursos por parte desses empreendedores e torna o resultado mais eficiente. O empreendedor fica alerta para a possibilidade de usos mais eficientes dos recursos não apenas para as demandas e ofertas existentes, como também para mudanças nelas. Ele deve saber onde as oportunidades inexploradas estão. Na busca pelo lucro, a ação empreendedora irá reduzir a discrepância entre os preços pagos pelos agentes do mercado. Sua função é similar a de um arbitrador. O empreendedor é aquele alerta às informações que o mercado gera continuamente, fazendo ajustes que resultam da ignorância existente no mercado.

O livre mercado é uma condição sine qua non para a existência do empreendedor. De forma objetiva, Ubiratran Iorio resume o argumento de Kirzner em Economia e Liberdade. “Um dos aspectos mais importantes do conceito de atividade empresarial de Kirzner é que o empresário é visto não apenas como a mola propulsora de uma economia de mercado, mas principalmente como um produto exclusivo da economia de mercado. Em outras palavras, só podem existir empresários, no conceito utilizado pela Escola Austríaca, onde houver economia de mercado, uma vez que o processo de descoberta que caracteriza os mercados livres, em que os empresários são obrigados a manter-se em permanente estado de alerta para que possam saber que necessidades específicas os consumidores desejam ver atendidas, não pode ser substituído pelo planejamento, por computadores, por ‘câmaras setoriais’ ou por ‘soluções’ políticas.”

A competição está presente sempre que não há impedimento arbitrário para novos entrantes. Enquanto os outros forem livres para oferecer oportunidades mais atrativas aos consumidores, ninguém está isento da necessidade de competir. Portanto, toda barreira arbitrária à entrada de novos participantes é uma restrição na competitividade do processo de mercado. Um monopólio, nesse sentido, não ocorre necessariamente quando existe somente um único produtor de determinado produto, e sim quando o acesso aos recursos desse mercado é prejudicado por algum controle arbitrário. É totalmente factível que apenas uma empresa ofereça certo produto sem que esteja desfrutando de uma posição monopolista pela definição ortodoxa, já que sofre igualmente as pressões competitivas através da livre possibilidade de novos entrantes.

No processo competitivo do mercado, os empreendedores tomam decisões tanto sobre o preço como sobre a qualidade dos produtos. Para Kirzner, portanto, não há distinção entre os custos de produção e venda de um produto. O empreendedor decide sobre tais variáveis buscando antecipar aquilo que o consumidor irá demandar. Neste processo, faz parte da função do empreendedor fazer com que o consumidor tome conhecimento da existência do produto. O esforço de venda é a tentativa do empreendedor de alertar os consumidores quanto às oportunidades de compra. Sua tarefa não está completa ao levar a informação sobre o produto para os potenciais consumidores; ele deve também se certificar de que os consumidores notaram e absorveram a informação.

Eis a relevância da propaganda, que é parte do mesmo esforço empreendedor. Os críticos da propaganda a veem como desperdício de recursos pago pelos consumidores, mas ignoram que ela é parte fundamental do processo competitivo que torna o mercado mais eficiente. Os valores são subjetivos, e o conhecimento, imperfeito, o que torna a propaganda do produto parte crucial do papel do empreendedor. Somente assim a soberania do consumidor é mantida, já que ele pode decidir sobre suas compras depois que os produtores colocaram as oportunidades diante dele. Afinal, o processo competitivo consiste numa seleção,

por tentativa e erro, das oportunidades apresentadas aos consumidores. Sem a propaganda, os empreendedores ficariam impedidos de oferecer uma vasta gama de opções pelas quais eles podem descobrir o padrão da demanda dos consumidores. Quem condena a propaganda está, então, adotando uma postura arrogante de onisciência, como se pudesse conhecer a priori a demanda dos consumidores. Aqueles que se fixam ao potencial de manipulação da propaganda ignoram que o risco é ainda maior na via política. Como Alain Peyrefitte apontou, “alguém dirá que a publicidade manipula os clientes, incapazes de resistir a suas miragens? Mas por que se lhes reconheceria a capacidade de resistir às miragens da demagogia?”.

Mises vai além. “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias.” No livre mercado, os consumidores são os verdadeiros patrões. São eles que decidem o que será produzido. Peyrefitte explicou que “o consumidor exerce poder soberano sobre a orientação econômica: a maneira como emprega seus rendimentos constitui exercício muito mais constante do direito de voto do que o que as urnas oferecem”. Mas para que o funcionamento desse processo contínuo seja eficiente, é necessário contar com a presença dos empreendedores. São eles que, alertas a todas as oportunidades que a ignorância dos agentes e a assimetria de informação criam, fazem com que as preferências dos consumidores sejam realmente atendidas. O maior aliado dos consumidores é o empreendedor, alerta a todas as oportunidades de lucro no mercado competitivo.
                
Fonte via: Economia Reformacional – http://economistareformacional.blogspot.com

Sugestões de Leituras:


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VEITH JR., Gene Edward. O fascismo moderno: a cosmovisão judeu-cristã ameaçada. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

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WIKER, Benjamin; WITT, Jonathan. Um mundo com significado: Como as artes e as ciências revelam o gênio da natureza. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.


Sugestões de filmes:

O filme[2]: Deus da carnificina, de Roman Polanski, é uma sátira à hipocrisia do politicamente correto, com Judie Foster fazendo o papel de uma típica representante da esquerda caviar, que se coloca sempre acima dos outros no campo moral. / Ela é capaz de tudo perdoar em nome da "civilização". É tão descolada que até passou sua lua de mel na Índia! Mas, em certo momento, desabafa: "Por que tudo tem que ser sempre tão exaustivo?" Usar sempre aquela máscara cansa. / A personagem abraça as causas das pobres crianças africanas, mas, no fundo, esconde seu ódio a tudo aquilo em volta, seu recalque à sua vida medíocre com seu marido acomodado, um simples vendedor de latrinas sem ambição. (...)

Sugestões de Vídeos:

O Verdadeiro Conservador  - Michael Oakeshott – pelo intelectual conservador João Pereira Coutinho https://www.youtube.com/watch?v=_vbfxVHtblI


Espírito Conservador - João Pereira Coutinho - https://www.youtube.com/watch?v=igmO5cdzhks


Por que contra um mundo melhor? Luiz Felipe Pondé - https://www.youtube.com/watch?v=PqoVJS7nq4w

Sugestões de Ebooks:

OAKESHOTT, Michael. Ser Conservador. (...)

CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do indivíduo: O legado da Escola Austríaca. Rio de Janeiro, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2009.


Soli Deo Gloria, Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus



[1] CONSTANTINO, Rodrigo. Economia do Indivíduo: o legado da Escola Austríaca. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009. p. 135-138.
[2] CONSTANTINO, Rodrigo. Esquerda caviar: A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Record, 2013. p. 197.

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