quarta-feira, 4 de abril de 2012

A economia de tipo “método discursivo”

A economia de tipo “método discursivo”


by O. Braga

O filósofo marxista cultural alemão J. Habermas sugeriu, há décadas, uma forma de definir a ética válida para uma sociedade: o chamado “método discursivo” que consiste, grosso modo, em um discurso infinito levado a cabo numa comunidade ideal de comunicação. Por exemplo, programas de televisão como o de Fátima Campos Ferreira na RTP1 à Segunda-feira [não me lembro agora do nome do programa], têm, na base do seu figurino, o método discursivo do marxista Habermas.



Segundo Habermas, se as normas devem ser fundamentadas, todos aqueles a quem estas dizem respeito devem ter, por princípio, a possibilidade de participar na discussão sobre elas. O problema que se coloca ao método discursivo de Habermas é o de que não existe consenso da parte das pessoas que, por uma qualquer razão, não puderam participar na discussão; e também não existe consenso da parte crianças, doentes, ou ainda das crianças que ainda não nasceram.



Portanto, para além de que não devemos subordinar os nossos interesses a um código moral de “negociação eternamente provisória”, o método discursivo hipoteca o futuro da sociedade através de decisões tomadas hoje por uma elite. O método discursivo de Habermas não resolve o problema ético da sociedade, porque um putativo consenso provisório não obriga o oportunista a abdicar do princípio da prioridade e da aprioridade do interesse próprio. Uma coisa muito parecida passa-se com o imperativo categórico de Kant.



De um modo semelhante, mesmo que analisemos a crise financeira actual à luz do estritamente económico — mecanismos monetários, défices públicos, etc.. —, o que vemos é que as decisões económicas e financeiras tomadas hoje, mesmo que amplamente discutidas entre a elite, hipotecam o futuro e as próximas gerações. Temos aqui o “método discursivo” aplicado à economia, o que significa que o problema económico é, em primeiro lugar, um problema ético.



A actual crise económica e financeira nunca será resolvida de uma forma minimamente satisfatória senão quando a ética passar a ocupar o seu lugar tradicional sociedade.

O. Braga
Quinta-feira, 29 Março 2012 at 7:24 pm
Categorias: ética, economia
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