quarta-feira, 18 de março de 2009

KEYNES E OS "KEYNESIANOS"

Keynes e os “keynesianos” por Rubem de Freitas Novaes*

O Globo - 03.03.2009

A crise atual, com sua tendência depressiva, com seus socorros a instituições financeiras e empresas e com seus programas de obras públicas, traz à baila o grande debate ideológico do século XX e as idéias intervencionistas do economista inglês John Maynard Keynes, que, diante da depressão dos anos 30, se tornou crítico da Teoria Econômica Neoclássica, sustentáculo do pensamento econômico liberal, exposto, através dos tempos, por autores do calibre de Adam Smith, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Milton Friedman.

Muitos analistas, pessimistas com os rumos da economia mundial, hoje caracterizada pelo predomínio do Capitalismo e pela globalização dos mercados, parecem prever novos tempos em que regimes econômicos caminhariam no sentido da socialização dos meios de produção e do estreitamento do comércio internacional. Fazem-no buscando respaldo intelectual em Keynes, como se o grande mestre fosse um inimigo declarado do Capitalismo e do livre comércio. Convém, portanto, para melhor entendimento da questão, repassar alguns tópicos do pensamento econômico dos tempos em que foi escrita a famosa obra do professor de Cambridge “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”:

Antes da publicação da “Teoria Geral” de Keynes, em 1936, prevalecia no corpo da doutrina econômica a idéia de que a “mão invisível” de Smith era bastante para resolver, não só questões de ajustamentos setoriais, mas também problemas de recessão. De início, acreditava-se que a “Lei de Say”, segundo a qual “a oferta cria sua própria demanda”, vigorava sempre. Mais tarde, diante da constatação da existência de ciclos de recessão e prosperidade (geralmente causados, é verdade, por imperícia dos governantes), a Teoria Neoclássica passou a postular que, mesmo diante de uma queda da demanda global, bastaria a existência de plena flexibilidade de preços e salários para que os mercados se auto-corrigissem, evitando os males maiores de uma depressão.

A grande “sacada” de Keynes foi perceber que o bom funcionamento do regime capitalista depende de um fator até então muito pouco lembrado nas construções teóricas: a fundamental confiança entre os agentes econômicos. Instalada uma crise generalizada de confiança num momento ruim da economia - sem que se discuta, nesta oportunidade, o que originou esta crise - a hipótese de flexibilidade de preços e salários seria insuficiente para garantir o retorno à normalidade, já que os mercados de moeda e crédito deixariam de funcionar adequadamente. Emissões primárias de base monetária comandariam um menor estoque de moeda, pela queda dos multiplicadores bancários, e o estoque de moeda existente comandaria uma menor demanda agregada, pela queda da velocidade de circulação monetária. Em outras palavras, bancos, indivíduos e empresas disporiam de recursos financeiros, mas não os movimentariam na velocidade desejada. Com isso, estaria configurada uma “armadilha da liquidez” (liquidity trap), modernamente chamada de “empoçamento” da moeda e do crédito, que obrigaria o Governo a agir do lado das despesas públicas para restabelecer um nível razoável de atividade econômica.

Neste ponto podemos introduzir a crítica de Milton Friedman, no sentido de que não seria necessário o aumento do dispêndio público para estimular a demanda agregada, bastando para tanto que se emitisse moeda até a desobstrução dos canais entupidos e que se reduzisse a carga tributária sobre indivíduos e empresas. Mas, ainda assim, permaneceriam válidos os pressupostos da política fiscal compensatória de Keynes que, lastreada numa maior propensão a gastar do setor público em períodos de crise de confiança, faz prever um significativo acréscimo na demanda global quando recursos são transferidos da população inibida para as agências governamentais gastadoras. A análise keynesiana segue, mostrando que o efeito estimulador será maior se o gasto público for financiado por endividamento em lugar de impostos e ainda maior caso as despesas sejam cobertas por emissões monetárias.

Se Keynes e sua obra têm méritos indiscutíveis, o mesmo não se pode dizer de muitos de seus seguidores e dos que se apropriam e distorcem suas idéias para fins não recomendados pelo autor. Duas categorias de “keynesianos” aqui se destacam: os que apontam falhas no funcionamento dos mercados para defender o ideário socialista e a classe de políticos e governantes que, sedenta de poder, procura respaldar-se no “rationale” oferecido pelo mestre inglês para justificar despesas direcionadas a grupos de interesse, empregar protegidos e criar organismos públicos geradores de “bons negócios”.

Pouco antes de sua morte, Lord Keynes dirigiu-se ao ultra liberal Hayek demonstrando sua rejeição ao credo socialista. Em carta datada de junho de 1944, referiu-se ao recém lançado “O Caminho da Servidão” - obra em que Hayek, sem abdicar da elegância e do reconhecimento das boas intenções de seus oponentes na Academia, associava o controle estatal sobre a economia ao totalitarismo - da seguinte forma: “Meu caro Hayek, trata-se, em minha opinião, de um grande livro. Todos nós temos razões de sobra para sermos gratos a você por exprimir tão bem tudo o que precisava ser dito. Estou, moral e filosoficamente falando, de acordo com o conteúdo integral desta obra. Não só de acordo, como de profundo e comovido acordo”.

Vê-se, portanto, que a grande contribuição de Keynes à Teoria Econômica foi feita com o intuito de fortalecer o Capitalismo, corrigindo, com medidas de caráter temporário, falhas do funcionamento dos mercados livres, que são magnificadas em momentos de crise de confiança generalizada. Se vivo fosse, certamente estaria feliz com o retorno de seu nome às manchetes, mas amargurado com o mau uso que fazem de seus ensinamentos.

* O autor é economista formado pela UFRJ com doutorado (PhD) pela Universidade de Chicago. Foi Professor da EPGE/FGV, Presidente do SEBRAE e Diretor do BNDES. E-mail: rfnovaes@uol.com.br

segunda-feira, 9 de março de 2009

VISÃO DO CENTRO INTERDISCIPLINAR DE ÉTICA E ECONOMIA PERSONALISTA (MENOS ESTADO E MAIS SOCIEDADE)

MENOS ESTADO E MAIS SOCIEDADE...

As pessoas e suas formas de organização (famílias, comunidades e empresas) são os verdadeiros agentes de promoção do desenvolvimento econômico e do avanço tecnológico que está transformando rapidamente o nosso planeta numa aldeia global. A história do tempo presente parece conduzir os homens para uma vida cada vez mais ecumênica e coletiva, no entanto, perguntamo-nos, será o homem meramente o produto de suas relações de trabalho e produção?

Com a crescente interdependência de todos, o bem estar da humanidade necessita cada vez mais de uma consciência e liberdade pessoais que permitam uma verdadeira ação cooperativa em nível local, regional, nacional e internacional. Mas é fundamental que exista uma consciência cultural; é fundamental que saibamos quais culturas e valores deverão prevalecer nesse imenso espaço intelectual – a pessoa humana é mais do que aquilo que faz ou produz; ela não pode e não deve ser reduzida a estatísticas, sendo transformada num servo do Estado ou numa engrenagem do Mercado.

Todas as ações humanas eficazes surgirão dessa tomada de consciência, e terão como conseqüência o desenvolvimento e prosperidade de cada pessoa. Esse ambiente bem-sucedido permitirá que metas como a preservação do meio ambiente, do patrimônio cultural, a promoção dos direitos humanos, a caridade efetiva, a responsabilidade dos pais pela escolha pedagógica e educacional dos filhos menores, a redução da carga tributária e conseqüente redução da pobreza, façam parte do dia-a dia das pessoas num esforço conjunto de realizar o sonho de “menos Estado e mais Sociedade”; um país de melhores práticas sociais e de instituições mais confiáveis, em suma, um país mais livre, próspero, justo e virtuoso.

Para o sonho se tornar realidade, a participação e interação dos setores cultural, religioso, acadêmico e empresarial se torna crucial pela capacidade criadora, pela possibilidade de captar recursos humanos e financeiros, bem como pela liderança que cada um deles exerce nas suas áreas de atuação.

Tais setores são poderosos agentes de mudança e devem refletir o respeito pelo infinito valor de cada pessoa humana e servir de exemplo, por intermédio de suas práticas, para as futuras gerações. Ao adquirir respeito pelas pessoas, nossos colaboradores ganham o respeito e a admiração das comunidades que são impactadas por suas atividades, passando a ser gratificadas com o reconhecimento de seus trabalhos e/ou produtos, pelo engajamento dos colaboradores e/ou pela preferência dos consumidores.

Estamos num momento em que diversos setores da sociedade estão redefinindo seus papéis e não podemos deixar de acrescentar nessa agenda a experiência da dignidade, do valor e da ação humanas como fundamento de uma estrutura comunitária que afirme a singularidade de cada pessoa humana, permitindo sua plena participação na ordem social.

A Ética Personalista e seus desdobramentos filosóficos, culturais, econômicos e legais, com sua proposta radical de valorização do humano, estão se tornando cada vez mais fator determinante de sucesso no mundo acadêmico e empresarial internacional.

Ao trazer essa proposta de vanguarda para todos os cenários culturais de língua portuguesa, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista abre novas perspectivas para o surgimento de um mundo mais humano, economicamente mais próspero e socialmente mais justo para as novas gerações, pretendendo ser o recurso intelectual mais respeitado, por propor uma mudança de paradigma, além de ser reconhecido internacionalmente pela qualidade de seus programas.

CENTRO INTERDISCIPLINAR DE ÉTICA E ECONOMIA PERSONALISTA
http://www.cieep.org.br/home.php?page=visao



O Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP) é uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em 1º de julho de 2002, no Rio de Janeiro, por intelectuais de diferentes áreas do conhecimento e oriundos de diversas partes do Brasil.

Num mundo dominado por uma visão materialista e desumanizadora, onde as possíveis soluções para os graves problemas sociais são atribuídas apenas ao Estado ou ao Mercado, a preocupação central dos fundadores do CIEEP é romper com tal dualismo, demonstrando que a vida humana requer uma nova dinâmica relacional entre Estado, Sociedade e Mercado.

Para o CIEEP, a Sociedade é bem mais complexa do que os esquemas ideológicos; é composta de comunidades e famílias, homens e mulheres de várias classes sociais e níveis culturais que interagem espontaneamente. Em última análise, é feita por cada pessoa que, com seus méritos e talentos, colabora para construção de uma sociedade livre, responsável e virtuosa.

Para tornar possível a reflexão sobre a problemática humana num mundo sem fronteiras tecnológicas e geográficas, os membros do CIEEP decidiram por estabelecer um programa cultural e pedagógico capaz de permitir às pessoas descobrir quais valores modelaram, e ainda modelam, a identidade espiritual e cultural da civilização ocidental e a repensar de forma crítica qual o papel da pessoa humana nos novos tempos globalizados.

O trabalho do CIEEP consiste em desenvolver um diálogo com os vários campos do conhecimento, além de introduzir a noção de Economia Personalista. Nessa perspectiva, a interdisciplinariedade é fundamental, pois permite ao ser humano encontrar possibilidades que vão além de si mesmo e das aparentes circunstâncias do meio ambiente, via o conhecimento legado pela filosofia, teologia, psicologia, literatura, música, artes plásticas, antropologia, história, sociologia, ciência política, direito e economia, dentre outros campos do saber.

O CIEEP pretende participar de forma prática e concreta da construção de um país democrático, próspero e justo, constituído de cidadãos livres, responsáveis e virtuosos. Para isso pretende estabelecer parcerias de sucesso nos meios empresarial, cultural, acadêmico e religioso na realização de eventos, publicações e políticas públicas que tenham como fim último a valorização da dignidade de cada pessoa humana e a busca da verdade.

O CIEEP acredita no surgimento de um mundo mais humano, economicamente mais próspero e socialmente mais justo para as novas gerações.


CENTRO INTERDISCIPLINAR DE ÉTICA E ECONOMIA PERSONALISTA
http://www.cieep.org.br/home.php?page=institucional



Na Tradição da Liberdade
Uma História do Pensamento Ocidental


“Em todas as épocas, os amigos sinceros da liberdade têm sido raros, e seus triunfos são devidos às minorias [...] Se interesses hostis vêm produzindo muitos danos, falsas idéias os têm produzido ainda mais, e o avanço [da verdadeira liberdade] é marcado pelo aumento do conhecimento, bem como pela melhoria das leis."

Lord Acton

CENTRO INTERDISCIPLINAR DE ÉTICA E ECONOMIA PERSONALISTA
http://www.cieep.org.br/home.php?page=tradicao